quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DINHEIRO DE UNIVERSITÁRIO
DO ALUUEL, A CONTA NO BAR

Cachoeira abriga o Campus de Artes, Humanidades e Letras da UFRB há quatro anos, e durante esse tempo o fluxo migratório para a cidade vem aumentando anualmente. Os novos moradores são em sua maioria, jovens entre 18 e 25 anos que experimentam as primeiras experiências de vivências fora da casa dos pais. Uma das preocupações mais relevantes que passa por essas cabeças juvenis é como administrar o orçamento mensal, O Preto no Branco conversou com alguns estudantes e procurou saber como estão usando seu dinheiro.
Os gastos na estadia universitária são diversos, vai desde o aluguel ao dinheiro da balada. As reclamações com os preços das moradias são quase unânimes, o aluguel de algumas repúblicas chega a custar R$ 1200 reais. Xerox e livros também estão na listas das mais caras necessidades, mas ainda assim, festas e bares tomam a maior parte do dinheiro de grande parte dos estudantes.
Bruno Igor, 22 anos, está no 6º semestre de História e reside em Cachoeira há três anos, ele conta que do final de 2009 até hoje, o custo de vida na cidade aumentou absurdamente, já que pelo fato da Universidade ser nova, os estudantes não formam e vão embora na mesma proporção que passam e mudam pra cidade. O estudante tem um amigo da sua turma, que no primeiro ano de Universidade passava o mês com 120 reais, “Quando conto isso para os calouros eles acham que estou brincando”, diz Bruno.
Hoje, o estudante recebe em média 400 reais mensais, e ao contrário da maioria dos jovens universitários, Bruno sustenta-se com o próprio trabalho, ele é professor, no Colégio Edvaldo Brandão, localizado na cidade que mora e estuda. O estudante divide casa com um colega e cada um paga 150 reais de aluguel, os gastos com água e luz foram substituídos por gatos, Bruno brinca e diz que isso é uma forma de protesto. Com supermercado, o estudante diz gastar cerca de R$ 50,00 mensais, bebida e cigarro leva em média R$ 100,00 de seu orçamento, e o resto do dinheiro é gasto com Xerox, livros e passagem.
Elódia Gramacho, 19 anos, estudante do 2º semestre do curso de Ciências Sociais, mora em Cachoeira desde o início do ano e divide casa com duas amigas, sua família se responsabiliza por seu sustento. A estudante recebe da mãe cerca de R$ 700 reais mensais, R$ 175,00 é gasto com aluguel, alimentação fica em torno de R$ 200,00, com passagem ela gasta em torno de R$ 50,00, e com bebidas Elódia diz gastar R$ 200,00, “Acho que não administro bem o dinheiro, dia 20 do mês eu já estou sem grana, parece que evapora”, diz a estudante.
A falta de responsabilidade com os próprios gastos não é exclusividade de Elódia, inúmeros outros estudantes reclamam da mesma coisa, “Engraçado é quando chega a última semana do mês, assim que termina a aula, a pergunta é sempre a mesma ‘Ei, tem comida na sua casa?’, a solidariedade dos amigos já me salvou inúmeras vezes, e você sempre achará um jeito de retribuir (risos)”, brinca Bruno, que por sinal almoçou na casa de Elódia no dia que fizemos a matéria.
Uma alternativa bastante comum para a falta de dinheiro no final do mês é o cartão de crédito, o dinheiro de plástico é a salvação e a desgraça de muita gente em Cachoeira, Paulo Lomba, dono do Mercadinho e Lanchonete Preto Velho, que o diga, ele deve ficar com uma porcentagem significativa do orçamento mensal da maioria dos estudantes do Centro.
A jogada estratégica de Lomba, é que seu mercadinho é na verdade um bar e, diga-se de passagem, um dos mais lucrativos da cidade, está aberto todos os dias, de 8 da manhã até madrugada a dentro, o bar vende de tudo, miojo e café é artigo de primeira necessidade, “O Paulo Lomba é a cara do capitalismo, se um dia você chegar lá pedindo pra comprar uma gaiola e ele não tiver, no outro dia ele estará vendendo, pode acreditar. Lembro que um dia comprei absorvente lá as 2 h da manhã, eu estava bebendo com os amigos, minha menstruação chegou e eu não queria ir pra casa, mas o mais genial de Lomba, é que se comprarmos uma grade de cerveja no cartão de crédito, quando a fatura chegar, a sua mãe vai pensar que foi compras de super mercado, por causa do nome do estabelecimento ‘Mercadinho e lanchonete’”, brinca Elódia.

Alane Reis

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