CAMINHADA CONTRA A
INVASÃO DO TERREIRO
VENTURA
Aconteceu nessa sexta feira uma caminhada contra a invasão do Terreiro Ventura. O ato de protesto foi iniciado às 17h partindo do Centro de Artes, Humanidades e Letras – UFRB e se fixou frente à Câmara de Vereadores com discursos dos representantes do Terreiro e de alguns apoiadores da ação. Isso porque está ocorrendo devastações na região da Antiga Roça de Cima,que originou a Roça do Ventura (Terreiro do Seja Hunde), de tradição bi secular do Jeje-Mahi no Brasil, um dos terreiros de candomblé mais antigos do país, que está situado na cidade de Cachoeira - Ba.
As agressões tornaram-se constantes com a divulgação da notícia do pedido de tombamento apresentado no IPHAN, há cerca de dois anos, como forma de garantir e valorizar práticas religiosas ancestrais, bem como a liberdade religiosa, pela sociedade civil do terreiro. O IBAMA e o próprio IPHAN já fizeram vistoria na área. E já entrou com uma Representação frente ao Ministério Público Federal, denunciando o ataque ao meio-ambiente, ao patrimônio cultural e à liberdade religiosa do povo de Cachoeira.
Invasão
Apesar das decisões do IBAMA e do IPHAN no dia 28 de outubro, tratores, a mando do empresário e fazendeiro Ademir Passos invadiram e destruíram 14 hectares de terra do Terreiro de Candomblé Ventura. Para a construção de um grande condomínio na região, colocando em risco árvores sagrada para o culto dos Voduns. E não pára por aí, o proprietário das terras anunciou que irá retirar a atual cerca do terreno sagrado da Roça do Ventura e devastará também essa área, onde se encontra as mais velhas árvores sagradas.
O Terreiro fundado por africanos da nação jeje-mahin, ainda no século XIX, possui uma área de 64 hectares, onde, de acordo com a prática religiosa desta nação, há uma relação sagrada com a natureza e seus elementos. O Ventura é o único terreiro de candomblé vinculado a esta nação no país. E esta invasão, além de destruir oferendas e uma grande área verde, soterrou a lagoa de Nana (um dos orixás mais velhos).
Estudantes e professores do Centro de Artes, Humanidades e Letras fizeram a caminhada nesta sexta feira em apoio à comunidade da Roça de cima, juntamente com intelectuais negros atuais. Como forma de pressionar as autoridades locais pelo ato de intolerância religiosa, desmerecendo a comunidade que em sua maioria é negra e adepta ou simpatizante de tal religião. A caminhada foi dada como encerramento do Fórum 20 de Novembro, realizado no Campus de Cachoeira - UFRB, marcando a semana da Consciência Negra como mais uma semana de luta do povo negro do Recôncavo.
Rúbian Melo
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